Ricciardi diz que Salgado influenciou Sócrates para levar Pinho para o Governo

O antigo presidente do BES Investimento, José Maria Ricciardi, disse hoje em tribunal que o ex-presidente do Grupo Espírito Santo (GES), Ricardo Salgado, influenciou o ex-primeiro-ministro José Sócrates a levar Manuel Pinho para o Governo em 2005.

Ouvido como testemunha na quinta sessão do julgamento do Caso EDP, no Juízo Central Criminal de Lisboa, o antigo administrador do BES revelou que Salgado lhe disse que tinha estado na origem da ida de Pinho para o executivo, assegurando que o ex-presidente do GES tinha “uma relação íntima” com Sócrates.

“Mais tarde comunicou-me pessoalmente a mim que ele, Ricardo Salgado, tinha tido interferência na ida dele [Manuel Pinho] para o Governo”, disse José Maria Ricciardi, primo de Ricardo Salgado, acrescentando que “[Quem exerceu influência] foi Ricardo Salgado sobre o [então] primeiro-ministro, José Sócrates… Para ministro da Economia”.

E continuou, apresentando a sua justificação para esta situação: “Penso que José Sócrates, tendo uma relação intima com Ricardo Salgado, este terá lembrado que tinha uma pessoa extremamente qualificada e que estava, de certa forma, desaproveitada. Mais tarde, vim a saber que [Manuel Pinho] já tinha desenvolvido trabalho com elementos do PS e não era propriamente uma pessoa do espaço político de oposição do PS”.

O depoimento do antigo presidente do BES Investimento contraria as declarações de Manuel Pinho em tribunal, em que o ex-ministro alegou que Ricardo Salgado até o desaconselhou de ir para a política.

Manuel Pinho, em prisão domiciliária desde dezembro de 2021, é acusado de corrupção passiva para ato ilícito, corrupção passiva, branqueamento e fraude fiscal.

A sua mulher, Alexandra Pinho, está a ser julgada por branqueamento e fraude fiscal – em coautoria material com o marido -, enquanto o ex-presidente do BES, Ricardo Salgado, responde por corrupção ativa para ato ilícito, corrupção ativa e branqueamento de capitais.

Últimas do País

Três homens e uma mulher foram detidos pela GNR por suspeitas de crimes de violência doméstica em três investigações distintas nos concelhos de Vidigueira, Serpa e Odemira, no distrito de Beja, foi hoje anunciado.
Uma lancha de alta velocidade foi detetada na barra do estuário do Tejo, na quarta-feira à noite, pela Polícia Marítima, que deteve os 11 ocupantes, numa operação coordenada com a Polícia Judiciária, confirmaram as autoridades.
Mais de 3.650 incidentes de segurança do doente foram notificados em 2025 através do sistema nacional Notifica, a maioria feita por profissionais de saúde, com as quedas e as escaras entre as situações mais reportadas, revelam dados da DGS.
A PSP deteve 7.214 pessoas, 1.559 das quais por condução em estado de embriaguez, e registou 60.420 infrações rodoviárias no âmbito da operação 'Verão Seguro 2026', que decorreu entre 15 de junho e 15 de setembro.
As notas dos alunos que realizaram exames nacionais do secundário na época extraordinária baixaram em relação à 1.ª fase, com quase metade das disciplinas a descerem de uma média positiva para negativa, segundo dados oficiais.
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde (IGAS) arquivou o inquérito sobre o socorro a um homem que morreu em Tavira, alegando não existir relação direta entre o atraso dos meios de emergência e a morte.
Três em cada quatro pedidos de reapreciação das notas dos exames nacionais subiram de nota, segundo os dados do Ministério da Educação relativos à 2.ª fase dos exames do ensino secundário.
A GNR deteve em Caminha um homem de 25 anos suspeito de tentar raptar duas filhas menores, após uma denúncia por violência doméstica, e vai aguardar o desenvolvimento do processo em prisão preventiva, revelou hoje aquela força policial.
Lonas com a mensagem “Os impostos sobre os combustíveis são um roubo” estão a ser colocadas pelo CHEGA em vários pontos do país. A ação acompanha a pressão parlamentar do partido para reduzir temporariamente o IVA dos combustíveis para a taxa intermédia, numa altura em que gasolina e gasóleo continuam acima dos dois euros por litro.
O ex-presidente do Júri Nacional de Exames disse, esta quarta-feira, que os problemas de digitalização dos exames nacionais já tinham ocorrido durante o projeto-piloto, mas a tutela não pediu um balanço nem existiram as habituais reuniões de avaliação.