Associação diz que todos têm responsabilidades e pede rapidez nas decisões sobre o INEM

A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) considerou hoje que os diversos partidos devem tirar responsabilidades pelo estado do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) e exigiu rapidez nas decisões.

© INEM

Em comunicado, a ANTEM lembrou já ter pedido há muito esta inspeção, felicita a ministra da Saúde pela “coragem de querer mudar o que está mal”, mas exigiu rapidez nas decisões, considerando que os “especialistas” e “peritos” que durante décadas permitiram que o INEM e a emergência médica ficasse nesta situação ”não devem passar pelos ‘pingos da chuva’”.

Na segunda-feira, o Governo anunciou que a Inspeção-Geral de Finanças (IGF) vai realizar uma auditoria à gestão e avaliação dos recursos humanos e à realização da despesa do INEM desde 2021.

Na nota hoje difundida, a ANTEM manifesta-se “preocupada com os pacientes”, a quem o INEM com “deverá estar sempre comprometido em servir com eficácia”, e exige uma “base sólida” de resposta, maioritariamente composta pelos conhecidos Técnicos de Ambulância de Socorro (TAS), que garantem “cerca de 90% da assistência pré-hospitalar”.

A associação referiu que estes técnicos têm ”baixa qualificação técnica e científica”, pede a extinção do atual modelo de TAS, considerando que está “ferido de erros técnicos e científicos, com formadores mal preparados” e com “conhecimentos extremamente limitados no que diz respeito à medicina pré-hospitalar”.

Insistiu na criação de um modelo que comporte o Técnico de Emergência Médica e, ao mesmo tempo, pede que, à semelhança dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH), a educação destes profissionais transite definitivamente para as faculdades de medicina.

“Sem que ocorram passagens administrativas, mas que, ao contrário, sejam dadas provas do conhecimento existente, para que se providencie uma requalificação exigente, segundo os mais elevados padrões”, sublinhou.

Se assim não for – considerou – “iremos manter o baixo nível de capacidades de intervenção destes provedores, que fazem a diferença entre a vida e a morte”.

A formação dos TEPH já tinha sido criticada em dezembro, num relatório preliminar da Inspeção Geral das Atividades em Saúde (IGAS), que concluiu que há técnicos de emergência pré-hospitalar no INEM que ingressam na carreira sem ter os requisitos necessários.

No projeto de relatório à auditoria pedida pela ministra da Saúde para avaliar a legalidade e a eficiência da gestão do INEM, a IGAS diz que o instituto não conseguiu assegurar a realização dos cursos de formação para os TEPH nos termos em que foram aprovados.

Aponta, designadamente, o prazo da realização desta formação (curso base) e a estrutura dos estágios em ambulatório ou bloco operatório, acrescentando que não foram concluídos todos os estágios em ambulância-escola por falta de recursos.

Na nota hoje divulgada, a ANTEM pede que toda a formação do INEM passe para as faculdades de medicina “com a maior urgência possível”.

Em simultâneo, defende que não deve ser o Estado a pagar a educação e treino destes profissionais, mas sim cada um dos candidatos ou as entidades onde prestam serviço.

“Os atuais operacionais da área deverão ser reeducados e os seus conhecimentos atualizados, com a implementação de protocolos de atuação adequados à atualidade, com supervisão médica”, acrescenta.

Na nota divulgada na segunda-feira, os ministérios das Finanças e da Saúde justificam a auditoria com as “recentes dúvidas suscitadas sobre o funcionamento” do instituto, considerando não ser suficiente uma “mera análise da documentação genericamente disponibilizada” no quadro da prestação de contas regular e legalmente estabelecida.

Até ao final de março, a IGF deverá apresentar um relatório com os resultados da auditoria.

Últimas do País

Um homem de 34 anos foi detido pela PSP em plena estação do Cais do Sodré, em Lisboa, por violência doméstica. O suspeito ameaçava a ex-companheira com uma faca e apalpava-a quando foi intercetado pelos agentes, após o alerta de um menor de 15 anos.
O Sindicato Independente dos Médicos (SIM) considerou hoje que as urgências regionais podem ser "a medida certa" no curto prazo para responder a carências críticas, mas alerta que o diploma assenta numa fórmula errada, arriscando não ter adesão.
A Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) fiscalizou 626 operadores económicos do setor das agências de viagens, tendo instaurado 42 processos de contraordenação, devido, sobretudo, ao “incumprimento de requisitos legais”, segundo um comunicado.
A falta de docentes continua a afundar o ensino público. Milhares de alunos começaram a semana sem todas as aulas, turmas são espalhadas por várias salas e há crianças que continuam sem professor titular desde o início do ano letivo.
Um homem de 92 anos morreu hoje atropelado por um comboio em Ovar, no distrito de Aveiro, estando a circulação ferroviária interrompida na Linha do Norte no sentido sul/norte, disse à Lusa fonte da proteção civil.
Os estudantes portugueses em mobilidade académica internacional queixam-se de dificuldades para votar nas eleições presidenciais, defendendo mecanismos como o voto postal para cidadãos temporariamente no estrangeiro, segundo um comunicado da Erasmus Student Network (ESN) Portugal.
O presidente da ERSE defendeu hoje no parlamento que interromper interligações com Espanha para evitar um apagão energético não iria proteger os consumidores portugueses, pois implicava ter "máquinas elétricas" em permanência para substituir essa potência.
Mais de uma dezena de casas assaltadas, emigrantes como principais alvos e aldeias em sobressalto. A GNR avançou de madrugada e travou uma rede criminosa que espalhava o medo em Macedo de Cavaleiros e Bragança.
Vários distritos vão estar entre quinta-feira e sábado sob avisos devido à previsão de chuva e agitação marítima por vezes forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
A Polícia Judiciária (PJ) entregou hoje às autoridades alemãs o jovem de 19 anos detido em Lisboa por suspeita de ter matado a família quando se encontravam de viagem a Cabo Verde.