Supremo nega recurso de primo de Sócrates na Operação Marquês

O Supremo Tribunal de Justiça negou provimento ao recurso do primo de José Sócrates, que alegava ilegitimidade do coletivo de desembargadoras que deu razão ao Ministério Público e com isso recuperou a acusação da Operação Marquês quase na íntegra.

© STJ

“O STJ negou, hoje, provimento ao recurso interposto por José Paulo Bernardo Pinto de Sousa (…). O STJ decidiu que tendo o julgamento de recurso sido realizado pelas juízas desembargadoras a quem o processo tinha sido distribuído, e num caso em que o exame preliminar e os vistos são anteriores à transferência destas para outros tribunais, não se traduz em qualquer designação arbitrária ou discricionária de juiz, nem na criação contra ‘legem’ [contra a lei] de um tribunal ‘ad hoc’, como alegava o recorrente”, lê-se no comunicado do STJ hoje divulgado.

O recurso da defesa de José Paulo Pinto de Sousa contestava a competência de duas das três juízas desembargadoras do coletivo do TRL que em janeiro deu razão a um recurso do Ministério Público e com isso recuperou quase na íntegra a acusação e os crimes que o juiz Ivo Rosa tinha deixado cair na fase de instrução.

O recurso contestava ainda que as desembargadoras Raquel Lima e Madalena Caldeira pudessem ter integrado o coletivo e proferido a decisão por terem sido colocadas na Relação do Porto e na Relação de Guimarães, respetivamente, no movimento de juízes anterior, alegando a defesa que já não faziam, por isso, parte do TRL.

Em janeiro de 2024, as juízas do TRL decidiram que Sócrates vai a julgamento por corrupção passiva no processo Operação Marquês, e, segundo o acórdão da Relação, Sócrates, chefe do governo entre 2005 e 2011, vai responder em julgamento por três crimes de corrupção, 13 de branqueamento de capitais e seis de fraude fiscal qualificada, entre outros ilícitos.

Sócrates foi acusado pelo MP, em 2017, de 31 crimes, designadamente corrupção passiva, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e fraude fiscal, mas na decisão instrutória, em 9 de abril de 2021, o juiz Ivo Rosa decidiu ilibar o antigo governante de 25 dos 31 crimes, pronunciando-o para julgamento apenas por três crimes de branqueamento de capitais e três de falsificação de documentos.

A decisão das juízas da Relação recuperou quase na totalidade a acusação do MP na Operação Marquês e determinou a ida a julgamento de 22 arguidos por 118 crimes económico-financeiros, revogando a decisão instrutória do juiz Ivo Rosa, que remeteu para julgamento apenas José Sócrates, Carlos Santos Silva, o ex-ministro Armando Vara, Ricardo Salgado e o antigo motorista de Sócrates, João Perna.

Nessa decisão, foi ainda determinado levar a julgamento por dois crimes de branqueamento José Paulo Pinto de Sousa, primo de José Sócrates.

Últimas do País

Os estudantes portugueses em mobilidade académica internacional queixam-se de dificuldades para votar nas eleições presidenciais, defendendo mecanismos como o voto postal para cidadãos temporariamente no estrangeiro, segundo um comunicado da Erasmus Student Network (ESN) Portugal.
O presidente da ERSE defendeu hoje no parlamento que interromper interligações com Espanha para evitar um apagão energético não iria proteger os consumidores portugueses, pois implicava ter "máquinas elétricas" em permanência para substituir essa potência.
Mais de uma dezena de casas assaltadas, emigrantes como principais alvos e aldeias em sobressalto. A GNR avançou de madrugada e travou uma rede criminosa que espalhava o medo em Macedo de Cavaleiros e Bragança.
Vários distritos vão estar entre quinta-feira e sábado sob avisos devido à previsão de chuva e agitação marítima por vezes forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).
A Polícia Judiciária (PJ) entregou hoje às autoridades alemãs o jovem de 19 anos detido em Lisboa por suspeita de ter matado a família quando se encontravam de viagem a Cabo Verde.
A Polícia de Segurança Pública (PSP) recusou a entrada a 1.867 passageiros, dos 11.377.097 que controlou no Aeroporto Humberto Delgado em Lisboa no ano passado, indicou hoje aquela força de segurança.
A escassez de profissionais obriga o Hospital Garcia de Orta a falhar nove turnos da viatura médica que responde aos casos mais graves do INEM.
O alerta para a ocorrência foi dado cerca das 11h30.
A Delegação da Madeira da Cruz Vermelha Portuguesa registou mais de 5.700 operações de emergência em 2025, indicou hoje a instituição, sublinhando o empenho dos 126 voluntários na assistência pré-hospitalar em toda a região autónoma.
A Igreja Católica em Portugal pediu hoje desculpa às vítimas de abuso sexual por não ter sido possível concluir o processo de compensações financeiras no prazo inicialmente previsto, no final de 2025.