Cavalos ajudam estudantes do Politécnico de Coimbra a desacelerar e a gerir stress

Três dezenas de estudantes do Politécnico de Coimbra acabam o dia de aulas a escovar, limpar ou acariciar cavalos. Desaceleram, assim, dos desafios quotidianos e aprendem a gerir o stress com um animal que oferece paz e bem-estar.

© D.R

“Chego aqui um bocadinho acelerada, mas vou para casa mais calma. Estar ao pé de um animal enorme, que é uma paz de alma, ajuda-me a relativizar um bocadinho os problemas”, destacou Carolina Ramos, do 1.º ano da licenciatura em Animação Socioeducativa.

Desde março que, sempre que pode, os seus finais de dia são passados “a escovar ou a limpar cuidadosamente os cascos” de um cavalo.

“Também lhes penteamos a rabada, a crina e, há uns dias, até tranças lhes fizemos. Não tratamos sempre do mesmo cavalo e, hoje [quarta-feira], calhou-me o E-Giro”, referiu.

O Politécnico de Coimbra utiliza a interação com cavalos para zelar pela saúde mental e bem-estar dos alunos, ajudando a que estes consigam gerir melhor os desafios do dia-a-dia.

O projeto “Horse Buddy” está a ser desenvolvido por investigadores das Escolas Agrária e de Tecnologia da Saúde, no âmbito de um projeto mais alargado de promoção da saúde mental, junto da comunidade do Politécnico, denominado “+SaBe”.

De volta do mesmo cavalo, e a fazer companhia a Carolina Ramos, que conheceu no âmbito deste projeto, Joana Moço revelou que, enquanto escova um cavalo ou lhe dá banho, esquece as preocupações e o resto do mundo.

“É a forma que tenho de relaxar um bocadinho da escola, dos trabalhos, do que os outros pensam. Serve para não estar constantemente stressada ou a minha cabeça explodia”, gracejou a estudante de Farmácia, enquanto continuava a mimar o E-Giro.

“Estás nas tuas sete quintas, mas não me comas o braço, por favor! Ele é assim chatinho porque está a gostar: é muito meiguinho”, acrescentou.

Completamente familiarizada com equídeos, Inês Martins, aluna de Comunicação Social, ia explicando algumas das reações dos cavalos, que aprendeu a interpretar nos anos em que praticou equitação.

“Esta é uma oportunidade de voltar a estar com cavalos. Já sabia que me ia deixar mais leve, com menos peso sobre os meus ombros, mais bem-disposta e motivada”, vincou.

De acordo com a jovem, estar com os equídeos pode ser “equiparado a fazer meditação”, ajudando “a respirar melhor”.

“Isto ajuda-me a estar mais em mim e mais calma. Consigo estar mais concentrada”, admitiu.

À Lusa, o docente da Escola Agrária, Pedro Bravo, esclareceu que este projeto visa retirar o melhor do contacto com o cavalo.

“Quisemos trazer a mais-valia do relaxe para os alunos, através de uma série de atividades: desde o escovar, passear com o cavalo à mão, alimentação, higienização das instalações e, se houver vontade disso, praticar equitação”, indicou.

Já a coordenadora do projeto, Ana Paula Amaral, explicou que o “Horse Buddy” visa a promoção da regulação emocional, cognitiva e comportamental, bem como o desenvolvimento de competências relacionais e comunicacionais.

“Vínhamos identificando níveis de ansiedade e stress nos alunos e surgiu a possibilidade de criar um espaço afetivo, relacional, que lhes permitisse ajudar a regular emoções. A relação que se estabelece com os animais, os beijinhos, as festinhas, têm uma natureza diferente, sem o julgamento que existe da parte das pessoas”, apontou.

De acordo com a docente, o contacto e relação com o cavalo permite “a ativação de determinada zona do cérebro e a libertação de determinadas substâncias que dão uma sensação de paz”.

“É uma serenidade, desligamos os problemas e a pressão”, mencionou.

O projeto “Horse Buddy”, aberto a alunos das seis escolas superiores do Politécnico de Coimbra, conta atualmente com 35 inscritos.

“Os alunos acabam por socializar e essa é outra vantagem do projeto que, para além do aspeto positivo da relação com o cavalo, permite o desenvolvimento de competências de comunicação. É um ponto de encontro, com desenvolvimento de aptidões comunicacionais e relacionais”, concluiu.

Últimas do País

A afluência às urnas na segunda volta das eleições presidenciais situava-se, até às 16h00 de hoje, nos 45,50%, segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, em linha com o que se registou na primeira volta.
As aldeias de Casebres, Vale de Guizo e Arez, no concelho de Alcácer do Sal, no distrito de Setúbal, ficaram hoje sem água atmosférica devido a um abastecimento de água que rebentou, segundo o vereador da Proteção Civil.
O Governo colocou 48 concelhos de Portugal continental em situação de contingência até ao dia 15 devido à ocorrência ou risco elevado de cheias e inundações, segundo um despacho publicado em Diário da República.
A afluência às urnas na segunda volta das eleições presidenciais situava-se, até às 12h00 de hoje, nos 22,35%, segundo dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, acima do que se registou na primeira volta.
Cerca de 76 mil clientes das E-Redes no território continental, dos quais 66 mil na zona mais afetada pela depressão Kristin, continuavam hoje às 08:00 sem abastecimento de eletricidade, segundo a empresa.
A queda de árvores na noite de hoje deitou abaixo fios de tensão média que já tinham sido repostos, provocando um retrocesso na restauração da energia elétrica no Município de Pombal, disse a vice-presidente da câmara, Isabel Marto.
As provas-ensaio de Monitorização de Aprendizagens (ModA), que deveriam realizar-se este mês, foram adiadas para abril devido às tempestades que atingiram várias zonas do país, destruindo escolas e afetando a vida dos alunos, famílias e profissionais.
Cerca de 2.600 militares estão no terreno para apoio direto às populações afetadas pelas tempestades que têm assolado Portugal continental, em 40 municípios, anunciou hoje o Estado-Maior-General das Forças Armadas (EMGFA).
O hospital de Leiria recebeu quase um milhar de feridos com traumas desde 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu a região, de acordo com informação dada hoje na reunião diária da Comissão Municipal de Proteção Civil.
Quase 900 pessoas tiveram de ser realojadas desde domingo devido ao mau tempo em Portugal continental, anunciou hoje o comandante nacional da Proteção Civil.