Desde 2016 que o número de hospitais privados ultrapassa o do setor público em Portugal, refletindo uma alteração estrutural no acesso aos cuidados de saúde. Atualmente, existem mais de 240 unidades hospitalares, das quais cerca de 130 pertencem ao setor privado — uma realidade que acompanha a crescente procura por parte dos utentes, segundo a SIC Notícias.
Um dos sinais mais evidentes desta transformação verifica-se na área da obstetrícia. O número de partos realizados em hospitais privados tem vindo a aumentar de forma consistente e registou, em 2025, uma subida de 8% face ao ano anterior. No total, nasceram 16.317 bebés no setor privado — o valor mais elevado de sempre — representando já quase 20% do total de nascimentos no país.
Esta tendência surge num contexto de dificuldades persistentes no Serviço Nacional de Saúde (SNS), particularmente nas áreas de ginecologia e obstetrícia. O encerramento de urgências, a escassez de profissionais e o aumento de partos fora do ambiente hospitalar têm contribuído para a crescente transferência de utentes para o setor privado.
De acordo com a SIC Notícias, a Associação Portuguesa de Hospitalização Privada aponta, contudo, outra explicação: o aumento do número de portugueses com seguros de saúde. “Hoje há mais pessoas com seguro do que há cinco anos, o que facilita a escolha pelo setor privado”, afirmou o presidente da associação, Óscar Gaspar.
Em sentido inverso, o recurso do SNS ao setor privado para reduzir as listas de espera cirúrgicas tem vindo a diminuir. O número de cirurgias realizadas ao abrigo do SIGIC — sistema que permite encaminhar doentes para unidades privadas — caiu cerca de 2% no último ano. Ainda assim, esta redução não se traduz numa diminuição das listas de espera, que continuam a exercer forte pressão sobre o sistema público.