Garantia pública no crédito à habitação depende do valor emprestado

A garantia que o Estado presta no crédito à habitação depende do valor financiado pelo banco, sendo atribuído o máximo de 15% apenas quando é financiado o total da transação, segundo a Direção-Geral do Tesouro e Finanças (DGTF).

© D.R.

No documento da DGTF , no qual esta responde às questões frequentes sobre a garantia pública, é dito que o montante da garantia do Estado é no máximo de 15% do valor da transação e que deve esta “percentagem ser ajustada para um valor proporcionalmente inferior no caso de a instituição de crédito financiar menos de 100% do valor da transação”.

A DGTF tem mesmo um quadro explicativo em que indica como fica a proporção da garantia quando o valor financiado é inferior a 100%.

Assim, quando um banco financia 100% do valor da casa a garantia corresponde a 15% desse valor.

Já quando um banco financia 95% do valor, a garantia corresponde a 10%; quando o banco financia 90%, a garantia é 5% do valor; quando o financiamento é de 87% do valor, a garantia é de 2%; por fim, quando o banco só financia 85% ou 86% da transação, a garantia cobre apenas 1%.

Segundo contas feitas pela Lusa, em valores, numa casa de 200 mil euros financiada em 100% a garantia cobre 30 mil euros. Já se a casa custar 200 mil euros mas o banco só financiar 180 mil (90% da transação) a garantia só cobre 10 mil euros (5%). Na casa do mesmo valor, caso o banco só financie 170 mil euros (85%) a garantia só cobre dois mil euros (1%).

O valor financiado pelos bancos na compra de uma casa depende do valor a que esta é avaliada e dos rendimentos dos clientes.

A garantia pública para o crédito à habitação concedido a jovens até 35 anos foi criada em julho passado pelo Governo, que a justificou como medida para facilitar o acesso a casa própria por jovens quando se vive uma crise de habitação (já em vigor desde agosto estão as isenções de IMT e Imposto do Selo na compra da primeira habitação própria e permanente por pessoas até 35 anos).

Pode ser usada por quem esteja a comprar a primeira habitação própria permanente cujo valor não exceda 450 mil euros.

Os beneficiários não podem ser proprietários de prédio urbano ou fração de prédio urbano e não podem ter rendimentos superiores ao do oitavo escalão do IRS (cerca de 81 mil euros de rendimento coletável anual). A garantia pública aplica-se a contratos assinados até final de 2026 e permite ao Estado garantir, enquanto fiador, até 15% do valor da transação.

O problema, segundo vários especialistas dos setores bancário e imobiliário, é que mesmo com a garantia muitos jovens não têm rendimento suficiente e não conseguem cumprir critérios para aceder ao crédito, além de que se mantém o problema de falta de casas.

O presidente da Associação dos Profissionais e Empresas de Mediação Imobiliária de Portugal (APEMIP), Paulo Caiado, disse recentemente à Lusa que há pessoas surpreendidas “porque estavam convencidas de que haveria algum tipo de financiamento do Estado para a ‘entrada’ da casa”.

Últimas de Economia

O Partido Socialista (PS) defende que é preciso aliviar a carga fiscal sobre os combustíveis, mas vai votar contra o projeto de lei do CHEGA que propõe reduzir temporariamente o IVA nos combustíveis de 23% para 13%. A decisão foi confirmada por José Luís Carneiro.
Com o prazo a apertar, várias entidades públicas aceleraram a contratação financiada pelo PRR. Na Universidade Nova de Lisboa, dez contratos foram assinados no último dia de junho e uma empreitada de quase 749 mil euros ficou a pouco mais de mil euros do valor que obrigaria a fiscalização prévia do Tribunal de Contas.
Abastecer deverá voltar a pesar mais na carteira já no início da próxima semana. As previsões apontam para aumentos expressivos no gasóleo e na gasolina, numa altura em que o Brent continua acima dos 100 dólares.
A taxa de inflação homóloga da zona euro fixou-se nos 3,2% em agosto, face aos 2% registados no mesmo mês de 2025, enquanto na União Europeia (UE) passou de 2,4% para 3,2%, ficando Portugal acima da média.
A Euribor desceu, esta quarta-feira, a três meses e subiu a seis e a 12 meses para novos máximos desde outubro e julho de 2024, após o Banco Central Europeu ter subido as taxas diretoras na quinta-feira.
O cabaz alimentar composto por 63 bens essenciais monitorizado pela Deco Proteste subiu pela terceira semana consecutiva, fixando-se nos 255,97 euros, informou esta quarta-feira a associação de defesa do consumidor.
Os títulos de dívida emitidos por entidades residentes até agosto subiram 2,8% em termos homólogos, para 328.986 milhões de euros, segundo dados hoje divulgados pelo Banco de Portugal (BdP).
Eurostat revela nova queda dos postos de trabalho por preencher na zona euro e na União Europeia. Portugal fica de fora da comparação mais recente por ainda não ter dados disponíveis para o segundo trimestre.
A taxa Euribor a seis meses, que passou em janeiro de 2024 a ser a mais utilizada em Portugal nos créditos à habitação com taxa variável, subiu hoje, ao ser fixada em 2,946%, mais 0,010 pontos que na segunda-feira e um novo máximo desde outubro de 2024.
A Euribor subiu hoje a três, a seis e a 12 meses, nos dois prazos mais longos para novos máximos desde novembro e agosto de 2024, depois de o Banco Central Europeu ter subido as taxas diretoras na quinta-feira.